[ RESENHA ] Todo Dia - David Levithan


Original: Every Day
Série: Every Day #1
Classificação: Young Adult
Gênero: Romance
Editora: Galera Record
Páginas: 280
Nota: 5,0/5,0








Sinopse:
Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.
Fala galera! Tudo bom com vocês? Espero que sim!

Essa é uma daquelas resenhas difíceis de escrever. Eu acho que todos nós, leitores, quando nos deparamos com uma história que nos surpreende em todas as formas possíveis, queremos que todos ao nosso redor leiam, falamos para Deus e o mundo, gritamos aos ventos, o quão incrível é o livro. Mas quando chega a hora de fazer a resenha, as palavras simplesmente somem. E esse é o caso.

Todo Dia é um livro que ganhou bastante rumor durante o ano passado, ele dividiu bastante as opiniões na internet, alguns amaram, outros se decepcionaram com o final. Eu recentemente comprei o livro e aproveitei o embalo da Read-a-long do Olhos de Ressaca. E fico muito feliz por ter tido a oportunidade de ler esse livro.


Vamos a história?

Nesse livro conhecemos a história de A, sim ele ou ela não possuí um nome, nem um gênero. A é uma consciência, um ser que acorda todos os dias em um corpo diferente. Ele passa por isso desde o seu nascimento, e com o passar dos anos foi entendendo que era diferente, ele era a criança que cada dia conhecia uma família diferente, que a cada dia era uma pessoa diferente, seja menino ou menina.
Todo dia sou uma pessoa diferente. Eu sou eu, sei que sou eu, mas também sou outra pessoa.
Sempre foi assim.
A condição de A não foge as regras, e algumas são impostas, sem se saber o por que. Hoje, A possuí 16 anos, e ele todos os dias, quando acorda, é uma pessoa diferente. Essa sua condição fez com que ele criasse suas próprias regras. A cada pessoa nova, uma vida nova que ele podia aproveitar por 24 horas. Ele tem alcance total sobre as peculiaridades e segredos de seus hospedeiros, e faz de tudo para que a sua estadia ali não influencie na vida daquela pessoa. 



Essa era a forma que ele achou de viver sem ser totalmente um parasita, até ele acordar no corpo de Justin.
Nunca sou a mesma pessoa duas vezes, mas certamente já fui esse tipo antes. Roupas espalhadas por toda parte. Mais jogos de videogame do que livros. Dorme de cueca. Pelo gosto da boca, é fumante.
- Bom dia, Justin - digo. Checo a voz. Grave. A voz da minha cabeça sempre é diferente.
Justin não se cuida. O couro cabeludo está coçando. Os olhos não querem abrir. Ele não tem dormido muito.
Já sei que não vou gostar do dia de hoje.
Tudo levava a crer que seria um dos dias ruins da existência de A, até o momento em que A se encontra com Rhiannon, a namorada de Justin. A relação deles não é muita boa, ele não é bom para ela, e por algum motivo A resolve interferir nisso, e proporcionar a Rhiannon um dia inesquecível, mesmo que amanhã tudo volte a ser como era antes. Porem, A não conseguiu esquecer o quão bom foi aquele dia com R, e por conta disso, ele decide tentar encontra-la todos os dias, mesmo que isso afete o dia a dia de seu hospedeiro.

Está olhando para mim. Justin é quem dá o primeiro passo. Justin é quem pensa as coisas. Justin é quem diz o que vão fazer.
Isso me deprime.
Já presenciei essa situação muitas vezes. A devoção gratuita. Preferir o medo de estar com a pessoa errada por não ser capaz de lidar com o medo de ficar sozinho. A esperança tingida de dúvida, e a dúvida tingida de esperança.  Sempre que vejo esses sentimentos no rosto de outra pessoa, fico deprimido. E tem alguma coisa no rosto de Rhiannon que é mais que apenas decepção. Existe bondade ali. Uma bondade que Justin nunca vai apreciar. Vejo isso muito bem, mas ninguém vê.
Até agora eu não consegui parar de remoer tudo o que aconteceu nesse livro. É aquele tipo de história que não foi feita para dar lições de moral, mas ao mesmo tempo nos trás de uma forma tão singela um modo diferente de ver as coisas. David conseguiu me emocionar não só com a história de A, mas também com a história dos hospedeiros.

A narrativa do livro é feita em primeira pessoa, pelo ponto de vista de A, fato que contribuiu e muito para o desenvolvimento do livro. A narrativa é incrivelmente fluída e super gostosa de ler, apesar dos temas mais pesados que são abordados.

Os personagens são incrivelmente bem trabalhados. Eles são humanos, e os problemas do dia a dia são retratados de uma forma fascinante. A que é o nosso(a) protagonista é de longe o mais incrível. Mesmo sabendo de sua condição, nos vemos torcendo por ele, torcendo para que apareça uma solução. 

A história vai crescendo e passa a ser mais do que apenas uma história de amor impossível. Apesar de A ser um pouco ingenuo, acreditando fielmente que é possível ter uma relação na sua condição, ele é bastante inteligente e sabe as enumeras dificuldades da vida, pois já vivenciou de tudo um pouco. 

Muitos temas são abordados no livro, por meio dos hospedeiros de A, temos suicídio, homossexualidade, bullying, exclusão social, drogas, etc. Mas como eu disse anteriormente, a ideia de David não era em momento algum passar aquele Q de moral, ele não quis chocar. Ele simplesmente contou uma história, incrível, com elementos originais e muito bem trabalhados. 

Eu me vi com água nos olhos em diversos momentos da leitura. E eu efetuei a leitura em praticamente um dia. Eu chorei, eu ri, me emocionei e me senti satisfeito com o final. Foi um dos finais mais lindos da minha vida como um leitor, apesar das últimas páginas deixarem a história um pouco aberta.  Eu marquei tantos quotes durante a leitura, que perdi a conta.


São poucos os livros que conseguem me emocionar tanto, causar as famosas "reações físicas". Definitivamente depois de Todo Dia vou procurar outros livros do autor. De longe um dos favoritos da vida.

Não sei se eu consegui expressar por meio da resenha, o quão incrível foi esse livro. Existem momentos que me faltam palavras para descrever o que eu penso. Recomendo esse livro para todos, vocês podem até não se emocionar tanto quanto eu, o que eu duvido, mesmo sendo algo extremamente pessoal. Leiam, se deliciem com a narrativa e depois me contem se não valeu a pena.